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terça-feira, 16 de julho de 2024

eu preciso ir embora

 segunda-feira, 15 de Julho de 2024, 17:48 

o café tem gosto de 

cansaço

eu queria fazer algo da minha vida 

não desperdiçar meu tempo

não ser inútil

não ser esmagada

pela máquina opressora do capitalismo (também)

eu acabei de gastar meu salário em remédio psiquiátrico

a ironia em você precisar do trabalho pra pagar os remédios que seu trabalho te faz usar

e porque com ele você consegue consulta com o psiquiatra pelo plano de saúde

rolo compressor de pessoas seres humanos

queria ser eu (verdadeiramente eu)

ser livre e voar e todas as coisas clichês

o que eu tava pensando quando achei que estar sentada em um ambiente fechado super rígido e autoritário era o que eu queria?

o preço que se paga por estabilidade (mínima)

meus pais nunca tiveram isso, eu deveria ser grata

grata grata grata 

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terça-feira, 16 de Julho de 2024, 21:40

saí da minha psicóloga com a certeza de que preciso dizer adeus. preciso desapegar. eu tô um ano endoidando por causa desse trabalho, eu preciso deixar ir. 

ela me diz que eu tô me torturando permanecendo aqui. me autodestruindo. fazendo o que eu odeio por quantos mais anos se já foram quatro?

deixar ir deixar ir deixar ir

até quando?

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

quando o que te paralisa só existe na sua cabeça

 Posso estar ou não sofrendo de burnout. Digo isso porque não parece que meus sintomas são sintomas de burnout (ou não sinto e vejo dessa forma). Mas o que aconteceu foi o seguinte: ontem eu chorei por horas seguidas com a ideia de acordar e ir trabalhar. Eu pensei em ter uma overdose. Eu tive uma ligação de emergência com minha psicóloga, que entrou em contato com minha pessoa de confiança e pediu pra eu antecipar a consulta com o psiquiatra. Isso parece muito sério. Me leva diretamente de volta pra 2020. Mas é tão confuso.

Eu tive que pedir ajuda pra conseguir ficar viva até hoje. Enquanto eu tento esconder dos meus pais que isso tá acontecendo, garantir que não vou fazer nada pras pessoas que sabem, me preocupo com não ter um atestado pra mostrar no trabalho do porquê faltei hoje. Mas faltar hoje foi a única coisa que me fez ter forças pra passar por ontem a noite. Eu acordei com minha cara o triplo do tamanho de inchaço, até agora sem me recuperar nem fisicamente. E os sinais estavam todos lá: o olho piscando ha duas semanas, a palpitação, o coração acelerado, o suor frio, as mãos tremendo sem parar do nada, o refluxo. A ansiedade sem motivo. 

Só que, diferente de quando você tá doente, é difícil explicar pras pessoas que o que tá te tornando disfuncional só existe na sua cabeça. O que tá me paralisando é o pensamento de que quero me matar o dia inteiro, do quanto odeio meu trabalho. E eu me sinto assim com tanta frequência que eu me pergunto o que tem de diferente dos outros dias. Nos outros dias eu consegui continuar, por que hoje eu não consigo?

Nada disso parece real. E faz estar em casa ainda mais complicado. Parece que eu tô aqui por preguiça, por não querer trabalhar. Tipo, caralho, a gente teve 4 dias de folga e eu voltei assim? Não fazem nem 2 meses que eu tirei férias. Não era pra eu estar descansada, bem? 

Sei o que eu responderia pra uma amiga na mesma situação. Sei que não invalidaria nenhum dos sentimentos dela. Sei que concordaria com ela, com a psicóloga, com os amigos. Sei que saberia reconhecer que não tá tudo bem. Sei que ela estaria fazendo o certo procurando ajuda. É tão complexo ser comigo. Eu não sou boa em reconhecer e aceitar que cheguei ao meu limite. Sempre fui colocada a acreditar que eu superaria todos eles e que isso é o normal, que são desafios que você tem que passar por cima. Me sinto tão fraca. Tenho um trabalho muito melhor do que os que meus pais já tiveram e ainda assim eu surtei. Me sinto ingrata. Coisa da minha cabeça, isso não é real.

* Feliz ano novo, hein