quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

quando o que te paralisa só existe na sua cabeça

 Posso estar ou não sofrendo de burnout. Digo isso porque não parece que meus sintomas são sintomas de burnout (ou não sinto e vejo dessa forma). Mas o que aconteceu foi o seguinte: ontem eu chorei por horas seguidas com a ideia de acordar e ir trabalhar. Eu pensei em ter uma overdose. Eu tive uma ligação de emergência com minha psicóloga, que entrou em contato com minha pessoa de confiança e pediu pra eu antecipar a consulta com o psiquiatra. Isso parece muito sério. Me leva diretamente de volta pra 2020. Mas é tão confuso.

Eu tive que pedir ajuda pra conseguir ficar viva até hoje. Enquanto eu tento esconder dos meus pais que isso tá acontecendo, garantir que não vou fazer nada pras pessoas que sabem, me preocupo com não ter um atestado pra mostrar no trabalho do porquê faltei hoje. Mas faltar hoje foi a única coisa que me fez ter forças pra passar por ontem a noite. Eu acordei com minha cara o triplo do tamanho de inchaço, até agora sem me recuperar nem fisicamente. E os sinais estavam todos lá: o olho piscando ha duas semanas, a palpitação, o coração acelerado, o suor frio, as mãos tremendo sem parar do nada, o refluxo. A ansiedade sem motivo. 

Só que, diferente de quando você tá doente, é difícil explicar pras pessoas que o que tá te tornando disfuncional só existe na sua cabeça. O que tá me paralisando é o pensamento de que quero me matar o dia inteiro, do quanto odeio meu trabalho. E eu me sinto assim com tanta frequência que eu me pergunto o que tem de diferente dos outros dias. Nos outros dias eu consegui continuar, por que hoje eu não consigo?

Nada disso parece real. E faz estar em casa ainda mais complicado. Parece que eu tô aqui por preguiça, por não querer trabalhar. Tipo, caralho, a gente teve 4 dias de folga e eu voltei assim? Não fazem nem 2 meses que eu tirei férias. Não era pra eu estar descansada, bem? 

Sei o que eu responderia pra uma amiga na mesma situação. Sei que não invalidaria nenhum dos sentimentos dela. Sei que concordaria com ela, com a psicóloga, com os amigos. Sei que saberia reconhecer que não tá tudo bem. Sei que ela estaria fazendo o certo procurando ajuda. É tão complexo ser comigo. Eu não sou boa em reconhecer e aceitar que cheguei ao meu limite. Sempre fui colocada a acreditar que eu superaria todos eles e que isso é o normal, que são desafios que você tem que passar por cima. Me sinto tão fraca. Tenho um trabalho muito melhor do que os que meus pais já tiveram e ainda assim eu surtei. Me sinto ingrata. Coisa da minha cabeça, isso não é real.

* Feliz ano novo, hein

2 comentários:

  1. feliz ano novo emy!!
    trabalhar é uma droga. mesmo que não pareça de cara, tenho pra mim que trabalhar quase sempre vai ser horrivel porque o mundo é muito duro e afiado para quem não se molda como massa de bolo numa forma. sei como é complexo acreditar que merecemos coisas e não ser atormentada pela produtividade. mas acho que tu merece sim esse dia de fazer nada. o ócio de viver por viver e estar a sós com os pensamentos!

    tudo que escreveu me remeteu a um conto da sylvia plath que li hoje de madrugada!! se chama johnny panic e a biblia dos sonhos, é uma autoficcção de quando ela trabalhou anotando sonhos de pacientes da ala psiquiatrica, e também sobre esse sentimento de panico e depressão que sofria.... esse texto não vai ser um abraço, mas talvez seja algo.

    espero que fique bem!! adoro seu blog <3

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  2. Ei Emy. Sinto muito por você estar se sentindo assim. Sei bem como é porque já passei por aí. Sei como é viver com esse sentimento dúbio de "eu deveria ser grata por ter um emprego" e "não aguento mais ir para aquele lugar". Também sei como é tirar férias acreditando que "dar um tempo" vai resolver tudo e se sentir frustrada ao perceber que o descanso não valeu de nada. Por isso deixo meu abraço e minha compreensão pelo que você está passando. A culpa não é sua e você vai ficar bem, vai melhorar e vai sair dessa. Você vai encontrar um trabalho que pague suas contas e que te faça se sentir realizada e satisfeita. Não sei se posso fazer algo para te ajudar, mas conte comigo se achar que eu posso, ok? Um abraço muito forte para você

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