domingo, 3 de setembro de 2023

a família que nós escolhemos, e a que nos escolhe de volta

Sábado passado eu realizei o meu sonho de 10 anos. Eu fui num show da minha banda favorita, The Maine. E eu estive querendo escrever sobre isso desde então, mas não tive tempo e fiquei doente - como aparentemente todas as pessoas que foram, no que chamamos de maineflu ou covimaine, muitas brincadeiras a parte (e porque me permito fazer brincadeira com isso porque as coisas já estão melhores). Eu nem sei por onde começar.

É difícil explicar o que The Maine significa pra mim. Tô reescrevendo esse texto porque, na primeira vez que escrevi, coloquei um tom formal demais, jornalístico demais, tentando dar um histórico da banda. E esse post não é pra ser sobre isso. É pra ter registrado mais uma vez, além das fotos e vídeos, esse dia que foi único e tentar fazer jus a tudo aquilo/isso que permeia o que nós chamamos de família.

The Maine não foi a primeira coisa pela qual fui fã. Antes deles, gostei de algumas outras coisas. Eu era jovem demais, uma criança entrando na pré adolescência, sabendo muito pouco do mundo e menos ainda sobre mim. Tentando me encontrar. Passando pelo quase divórcio dos meus pais, entendendo a raiva da minha mãe, procurando um conforto e criando um mecanismo de punição por existir. Nesse emaranhado de descobertas e dores, o The Maine lançou o Forever Halloween. E o Forever Halloween falou comigo pela primeira vez. 

Pareceu que tudo que eu sentia tava ali, colocado em algumas músicas com uma dicção difícil de entender e muito barulho. Não me entendam mal, The Maine passa longe de ser hardcore e, comparado a hoje, é um dos sons mais tranquilos dentro do rock que eu ouço. Quando o John canta em run, ou em happy, ou em sad songs ou em qualquer uma delas que pra mim passaram a ser uma só, eu nunca consigo ouvir o álbum sem ser inteiro. Não sei se fiz dele a minha personalidade, so sei que quando me perguntam qual o álbum da minha vida, eu respondo: Forever Halloween. 

It's about a number you can't really explain but you don't really have to, because the people you love already feel it too. 

Isso foi em 2013. Quando eu virei fã mesmo, a passagem deles pelo Brasil pra promover o FH já tinha passado. Aqui começa meu crescimento ao lado da The Maine: eu entrei no ensino médio, eles lançaram o American Candy. Esse é engraçado. Como todas as vezes que eles vem eles fazem meet and great de graça, quando foi anunciado que eles viriam eu me preparei, pedi o cartão da minha mãe, entrei no site. Mas o site sobrecarregou e várias compras não foram concluídas mas debitaram do cartão. Minha mãe ficou p da vida e não me deixou mais ir. No fim, foi um erro que deu pra geral e depois deu certo, mas era tarde demais pra mim. 

Eu saí do ensino médio e The Maine lançou Lovely Little Lonely. Desse eu não lembro direito porque não consegui ir, mas acho que porque eu não tinha companhia e a única pessoa que eu conhecia que gostava da banda não falava mais comigo. Eu entrei na faculdade e me mudei, e The maine lançou o You Are OK. Esse álbum é um contraste tão grande pro FH. Ele continua passando a mensagem dos dois anteriores, mas agora numa voz mais forte: você vai ficar bem. E, de certo ponto, eu estava. Assim como o John enfrentou a depressão e o uso de drogas, eu tinha enfrentado a automutilação e ido atrás de uma vida completamente diferente, em um lugar que eu não fazia ideia de que precisava, onde eu encontrei minha casa. Dessa vez, eu não fui porque apesar de ter encontrado uma menina da mesma cidade que iria, eu fiquei com medo de tudo que teria que fazer, pegar avião, ir pra outro estado, achar um lugar pra ficar. 

Eu me formei, e The Maine lançou... bem, o The Maine. O autointítulado. Como o John mesmo disse, o álbum é um resumo de tudo que eles foram e são e do que eles gostam de transmitir. É um puta álbum bom. Depois do xoxo, o álbum que o fandom inteiro ignora porque é muito ruim, o The Maine reviveu uma fanbase inteira no Brasil e eu fiz ainda mais mutuals online. Eis uma coisa que eu ainda não mencionei: 90% das minhas amizades virtuais começaram por causa de The Maine. E vivem até hoje. Gente que até então eu nunca tinha conhecido, que eu vi crescer também. Mas que tava prestes a mudar. 

Eles anunciaram só uma data dessa vez. Um show único pra uma banda que já foi até Limeira, interior de São Paulo. Óbvio, os ingressos esgotaram em meia hora. Mas eu consegui! Eu não conseguia acreditar que eu iria ver minha banda preferida depois de inúmeras tentativas frustradas. Combinei tudo certinho de ficar na casa de uma dessas amigas que fiz por causa da banda. Eles não tinham anunciado m&g, o que era estranho porque eles sempre fizeram. Uns dias mais tarde, a organização do show anunciou e abriu pra 300 pessoas. Esse foi ridículo, acabou em 5 minutos. Como várias pessoas não conseguiram concluir o pedido, eles anunciaram outro dia que abriram pros que sobraram. E eu e meu namorado ficamos na página esperando abrir. Ele conseguiu pra mim! Eu iria VER, CONVERSAR, TIRAR UMA FOTO. Fiquei com um medo de acabar desistindo, porque minha amiga não tinha conseguido e eu iria sozinha. Quase desisti até o último minuto. Mas eu fui. 

Viajei pra SP sozinha, enfrentei o medonho Aeroporto de Congonhas sozinha, peguei uber sozinha. Conheci a Dhafine, os pais dela, a irmã dela e a Nala, a cachorrinha. Conversamos muito, ela me mostrou várias coisas que tinha pego em outros shows e uma cartinha que eu escrevi pra ela em 2017. Que tinha um trecho de uma música de The Maine. 

Chegou o horário que o meet iria abrir e eu saí atrasada, com medo de perder. No fim, fiquei uma hora pegando chuva na fila. Mas entrei. Eu tava vendo eles, 5 metros de mim. Chegou minha vez. Eu fui a última do meu grupo a entrar, então abracei o Garrett (o meu favorito!!!) e o John e a moça já gritou pra tirar a foto. Eu esbarrei/tropecei no Garrett, pedi desculpa em português (no que ele respondeu: you are ok e eu morri), tiramos a foto e, na pressa de sair, EU ESQUECI DE ABRAÇAR O RESTO DELES. Eu só fui perceber depois mas a organização tava mandando sair. Fiquei me martirizando por isso por longos minutos. 

Fiz amizades nova, comprei bebida com copo personalizado, encontrei minhas amizades virtuais de anos, abracei gente que nunca tinha visto e que o que nos uniu era o porquê estávamos ali. O resto é história. eu pulei, cantei, gritei, fiquei sem voz, chorei. Ouvi músicas que pedi pro universo pra eles tocarem, e é como se eles tivessem me ouvido. Foi a coisa mais linda que eu já presenciei. E aí eu entendi tudo que sempre dissemos sobre The Maine: somos uma família. Ali, 4 mil pessoas, existindo pelo mesmo motivo, vibrando pela mesma coisa, sendo nós mesmos e sendo amados por isso. Não teve We All Roll Along pra gritar 8123 means everything for me, mas teve We'll All Be, Another night on mars e Like We Did. E funny how pela primeira vez, e o John nervoso em cantar e falando da filha dele.

Deixo vocês com algumas fotos do dia do show e com a lembrança de que, exatamente um ano atrás, eu queria morrer porque o cara que eu já cheguei mais perto de acreditar ser minha alma gêmea me trocou por outra. Quantas coisas aconteceram nesse um ano são inacreditáveis - eu poderia dizer que, mesmo nesses altos e baixos, eu tive o melhor ano em muito tempo. O que a vida guarda pra mim pra daqui mais um? Acho que vou ter que continuar viva pra descobrir. 

I want to live every bit of life. I never want to waste it again. 

Um comentário:

  1. É incrível como a música e uma banda podem ter um impacto tão profundo na vida de alguém. Ver você realizar seu sonho de ver o The Maine ao vivo após tantas tentativas é realmente um testemunho de determinação e paixão. tenho dificuldade em estra em lugares muito barulhentos por isso sempre desisti de ir em shows por mais que gostasse do artista. nunca ouvi falar dessa banda hahaha vou procurar mais sobre

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